domingo, 20 de julho de 2008

Bahia

Sentado no Pelourinho, tomando uma gelada com o grupo, umas das minhas gringa fez duas perguntas que de cara não soube achar resposta. Ela me perguntou em que lugar na costa brasileira, ela poderia sentar em um bar na rua e beber, pensando na vida, sem ser interrompida por algum ambulante, hippie ou pedinte. E o que ela deveria fazer pra ter um dia tranqüilo? E de quem era a culpa pro haver tanta gente pedindo nas ruas?
Não tive resposta, por que até eu fico de saco cheio, no Rio tem gente querendo te empurrar de tudo, idem em Salvador, Jericoacoara, Maceió, Recife, pipa e até nas ilhas onde você nunca imaginaria, tem gente vendendo, pedindo e não de um jeito legal, você nem pode recusar, se não compra , ficam putos, se você da alguns centavos, saem te chamando de pão-duro, se você da um prato de comida, eles querem também um copo de cerveja, se você da o copo, eles querem a garrafa e assim vai, sem fim, nunca tem fim. Fora as pessoas que nem pedem, vão pegando.
As vezes alguns gringos ficam com dó e dão, mas eu sempre aconselho a nem olhar. Infelizmente tem que ser assim, eu sei que tem alguns que trabalham e só querem mostrar sua arte, mas a maioria só quer se dar bem sem esforço.
E eu num acho que esta baboseira de que eles não tiveram chance na vida é verdade. Todos têm as partes do corpo inteiras, tem tatuagem e os pedintes estão sempre bêbados, ou seja, de algum jeito dinheiro eles conseguiram. Ta certo que Brasil não é um país fácil para as classes baixas, mas vamos ver. eu...leigo nesses assuntos, vejo dessa maneira: Tiramos Rio de Janeiro por exemplo.
Qual seria o maior problema do Rio? Violência? Drogas? Creio que drogas, por que a violência é por causa dela. Você sobe no morro, todas as casas, sem exceção tem TVs, na grande maioria TVs boas, em ótimas condições (com certeza graças às casas Bahia). Eles têm luz de graça (basta ver os “gatos” na rede), tem até TV a cabo! Na rocinha, existem vários projetos sociais e creches. As pessoas são trabalhadoras, mas também tem os vagabundos. Não tem saneamento, água potável, etc.
Ai temos que ver o porquê dessa gente viver lá. Bom, a maioria dos empregos são na zona Sul, o empregador tem que pagar o transporte do empregado correto? Então pra que contratar alguém que tem que pegar dois ônibus, fazer baldeação etc., se ele pode pagar apenas ida e volta de ônibus pra um que esta na favela? Mais fácil né? E também, se eles podem viver perto do mar, com uma vista linda, pra que sair de lá? E ainda te o trafico, que da um par de tênis, uma cesta básica de vez enquando e ainda cheio de garotos e garotas da zona sul pra comprar as drogas que saem de lá. Por que morador de morro não usa droga, porque se usarem tem que pagar, como pagar se não tem dinheiro? O jeito é descer o morro, morar nas ruas, pedir dinheiro ou assaltar. Por que se ficar na favela, vai morrer igual seu primo, irmão ou cunhado. E pra que estudar se eles podem seguir um brilhante carreiro no trafico? Eles podem ter carros, mulheres, correntes de ouro e um fuzil na mão. Fuzil esse que foi trazido por algum policial, que precisando pagar a cirurgia do filho, o aborto da amante ou até pra compra um carro melhor, precisou de uma grana extra, que ele não conseguiu com o seu superior que por sua vez está fazendo extra, cobrando comissões de garotas de programa no calçadão da rua, que também vende um baseadinho inocente, só para os filhos de políticos, que não quiseram aumentar o salário mínimo, mas quiseram aumentar o próprio salário, relaxarem um pouquinho e esquecerem do estresse da faculdade que o papai paga ou da frustração de não conseguir o mais novo modelo da BMW, por que seu carro anterior foi roubado e que com certeza foi parar nas mãos dos mesmos que estão provendo o inocente baseado a ele. Ou seja, ele esta fumando o próprio carro!

Ai fica nessa? Cheio de perguntas de rotina: De quem é a culpa? O que temos que fazer? Onde isso vai dar? E para essas perguntas, cada um de nós já tem uma resposta programada, já estamos acostumados. Agora o que respondemos a uma que não está nos padrões de perguntas de Arnaldo Jabour? Ou nem cada discurso pré-eleitoral? O jeito foi usar uma frase bem conhecida: - Ah, não ligue, “sorria, você está na Bahia”!

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